Fessmuc realizou curso de formação para dirigentes sindicais

Avaliação é de que deve ser retomado e aprofundado o trabalho de base após ataques a classe trabalhadora.

No mês de julho, 35 dirigentes sindicais participaram de um curso de formação sobre práticas e concepção sindical. O foco do encontro era formar dirigentes diante das mudanças nas relações trabalhistas ocorridas nos setores privado e público. O evento ocorreu em Maringá com o curso sendo ministrado pelo professor Helder Molina, doutor em Políticas Públicas e Formação Humana (UERJ).

Para a Casturina Berquó, coordenadora de movimentos sociais e direitos humanos do Sismuc, e coordenadora da Fessmuc, o curso trouxe a oportunidade de os dirigentes avaliarem sobre seu distanciamento e falta de debate político com suas bases. “Isso ficou claro ao assistir ao filme ‘Linha de Montagem’. Esse filme revela como era realizado o trabalho de base e como o papel da entidade sindical era tão representativo para os trabalhadores”, compara Casturina

A partir desse debate, os dirigentes entenderam que é necessário cada vez mais aumentar a formação e a participação do representante por local de trabalho. No mês de novembro de 2016, a revista Ágora, do Sismuc, abordou sobre o tema da OLT. A reportagem traz os pensamentos de Archimedes Felício Lazzeri e Martinho da Concei­ção, organizadores do livro “Trabalho de base, organização e formação no local de trabalho”, que é utilizado nas forma­ções da CUT. Para eles, “todas as formas de organização e representa­ção no local de trabalho devem responder às necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras, seja em relação a processos e controles do trabalho, direito à informação e negociação, mu­danças organizacionais, ritmo de trabalho, qualificação profis­sional, saúde do trabalhador ou sobre a igualdade e equidade nas relações de gênero, raça e geração”.

Para o presidente da Fessmuc, Allyson Nathan, o debate trouxe como necessidade a importância de unificar cada vez mais as pautas e as entidades sindicais. “Conseguimos formular para os dirigentes a ideia do que é o movimento sindical e a história da nossa central. Foi importante para introduzir especialmente para os sindicatos novos e para os novos dirigentes a ideia do que é ser sindicato nessa conjuntura pós golpe”, sinalizou.

Professor abordou formação dos sindicatos no Brasil e seu papel e a capacitação de dirigentes

Casturina completou sobre a importância de interpretar a conjuntura atual. “Na década de 1980, quando os sindicatos se fortaleceram, isso ocorreu após o golpe militar. Agora vivemos um novo golpe parlamentar. Contudo, os sindicatos continuam adotando uma linguagem e discurso que não é compreendida pelos trabalhadores. É urgente que eles entendam que estão perdendo direitos”, se preocupa a dirigente.

Os sindicatos assumiram a necessidade de cada vez mais encontrar mecanismos de se aproximar com suas bases, respeitando as características de cada local e profissão. O entendimento é que por mais que a base rejeite as entidades devido a construção de uma narrativa negativa por parte da mídia, entre outros, é tarefa urgente dos sindicatos reorganizar forças para reconquistar direitos e justiça social.

Presentes

O curso contou com a participação de dirigentes sindicais de Curitiba, Guarapuava, Jandaia do Sul, Mandaguari, Maringá, Nova Olimpia, Paiçandu e Toledo. Além do professor Helder, também palestraram a presidente da Confetam, Vilani Oliveira, e o deputado estadual Tadeu Veneri.

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Manoel Ramires

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