Municipais apontam crise dos serviços públicos em Curitiba

População tem percebido piora no atendimento desde que Greca assumiu a prefeitura em 2017.                                                                                                                 

CURITIBA | Os servidores municipais fizeram um panfletaço na Boca Maldita, no centro de Curitiba. No local foram entregues materiais e o Jornal Mobilização explicando porque o Pacote de Maldades afeta os trabalhadores e pode piorar o atendimento dos serviços públicos à população. No fim de semana, a Prefeitura de Curitiba bloqueou as avaliações de sua página no Facebook devido a repercussão negativa. No começo do ano, o próprio site da gestão havia retirado do ar enquete em que a população avaliava negativamente o novo governo.

A atividade no centro de Curitiba integra as ações da greve iniciada há uma semana. Mais cedo, trabalhadores fizeram um protesto em frente a casa do prefeito Rafael Greca. Já na Boca Maldita, o objetivo foi expor as contradições do discurso do prefeito. Durante todo o dia os sindicatos vão mobilizar os municipais para participarem da votação do pacotaço que ocorre nesta terça-feira, como conta Cáthia Almeida, coordenadora de organização por local de trabalho do Sismuc.

Fizemos uma panfletagem para a comunidade ver o que está acontecendo em nossa cidade. O pessoal também está conscientizado os servidores na base para amanhã tentar impedir a votação do pacotaço”, direciona.

No panfleto “Cadê o prefeito que não faz nada”, o Sismuc destaca que desde que assumiu, o prefeito Rafael Greca não conseguiu resolver os principais problemas da cidade. Enquanto ele se preocupar em lavar calçadas no centro ou cuidar da vida da juventude, nos bairros, a população que depende de serviços públicos fica a ver navios.

O sindicato lista serviços que pioram nesses últimos seis meses.

  • Aumentou a passagem de ônibus, acabou com a domingueira e não colocou frota nova na rua;
    Faltam remédios e materiais nas Unidades Básicas e de Pronto Atendimento;
    Fechamento das equipes que fazem atendimento nas casas das pessoas;
    Não aumentou número de vagas nos cmei’s;
    Inaugurou cmei sem abrir novas turmas ou contratar servidores;
    Criou o Balada Segura, mas não melhorou a segurança nos bairros;
    Retirou verbas da Cultura;
    Quer aumentar o imposto da moradia das classes , D e E; 
    Quer cobrar taxa de lixo das famílias mais pobres que são isentas;
    Perdoa parte das dívidas com devedores da cidade. A dívida soma R$ 5 bilhões;

Quanto as negociações das pautas, o sindicato contabilizou 162 negativasAlgumas respostas oficiais, devidamente feitas via ofício antes das reuniões, com as respostas a cada item, ainda assim muitas vezes beiram o descaso. É o que aconteceu com o pedido de investimento na formação geral dos servidores polivalentes: “Não há possibilidade de montar salas de aulas no local de trabalho, informa também que o endereço de CEBEJAs para quem tiver interesse em concluir o ensino fundamental”, responde.

Censura

A Prefeitura de Curitiba bloqueou as avaliações de sua página no Facebook. De acordo com o Paraná Portalos comentários na página da Prefs, como ficou conhecida, citam entre outros itens o preço da passagem de ônibus, o sucateamento da cultura e da saúde. Esse é mais um reflexo da má avaliação da gestão de Greca. 55% dos entrevistados pelo Paraná Pesquisa desaprovam a gestão dele e 61% de seus eleitores não repetiriam o voto.

Greca é mal avaliado até no site da Prefeitura de Curitiba. Segundo o Terra Sem Males, uma enquete perguntava se os serviços da Prefeitura de Curitiba, nesta nova gestão, melhoraram? Publicada em março, ela foi retirada rapidamente quando as respostas negativas ultrapassavam 55%.

Para Soraya Zgoda, coordenadora de comunicação do Sismuc, isso reflete o caráter autoritário do prefeito conhecido como Dom Greca: “A população e os servidores já perceberam que Greca quer mandar sem ouvir os diversos interesses da cidade. Ele tenta impor sua posição fingindo dialogar. Na prática, como vimos na enquete e na censura das avaliações, o prefeito que não faz nada acha que pode fazer o que bem quiser. Ele está equivocado”, alerta.

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Manoel Ramires
Fessmuc/Sismuc

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